Um braço dobrado

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[English]

No segundo domingo do mês, organizo um Satsang.

Satsang
Sânscrito (Índia): sat = verdade, sanga = companhia.
Geralmente traduzido como:
encontro com a verdade

Satsang para mim significa: estar junto com pessoas que se preocupam com as suas vidas e saúde e querem entender o que é a vida.

Cheguei ao entendimento de que estou aqui nesta vida para aprender uma coisa: como ser “humano”.

Talvez isso pareça um pouco estranho, até perceber que tudo que aprendes quando crescer é se comportar de acordo com as expectativas da sociedade. Te adaptas constantemente aos desejos dos outros e te tornas irreal e insalubre.

Tu aprendes:

  • Como agradar a todos
  • Como ye tornar um escravo obediente à economia que precisa crescer constantemente
  • Como estar a serviço do dinheiro
  • Como estar em serviço para o outro

Assim, na maioria das vezes, as pessoas são vítimas das circunstâncias que a vida parece apresentar espontaneamente, em vez de uma pessoa consciente. As pessoas dormem. Eles vivem sem qualquer objetivo na vida, exceto agradar ao mundo, com o descontentamento e o vazio como resultado. A social média e os smartphones são a distração ideal para não perceber que estás sonambular, para evitar que acordes.

Precisamos acordar para nos tornar humanos. Para nos tornar boas pessoas que sabem o que é a vida. A questão é: como?

Bem, para isso só precisamos de duas coisas:

1. Um meio para desenvolver o autoconhecimento. Meditação é um desses meios. Dissolve passo a passo o irreal em ti. Depois de algum treinamento, a meditação destrói aquilo que é irreal, então tudo o que não é tu.

2. Um braço dobrado para interagir com os outros. Então ninguém pode se aproximar de ti. Sejas todo o amor pelos outros e pelo mundo e mantenhas essa distância do “braço curvado”.

Cada Satsang preencherá as duas necessidades. Meditamos e treinamos como curvar o braço.

Onde: Quinta Os Chões (a minha quinta em Ponte Velha)
Quando: domingo, 9 de junho de 2019 e cada segundo domingo do mês.
Horário: 10: 00-11: 30 horas
Preço por Satsang: 7 €

Yoga Studio Marvão a crescer

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Photo by Tuán Trúong on Unsplash.Com

[English]

Estou muito feliz por anunciar que a partir da quarta-feira, 5 de junho de 2019, o Yoga Studio Marvão vai oferecer mais duas aulas semanais de yoga.

A professora de yoga (Yin Yoga e Yoga Restaurativa) e massagista terapêutica Heidi Dyer conduzirá essas aulas de yoga. Até agora a maioria de vocês conhece a Heidi.

A presença da Heidi em Marvão irá enriquecer o Yoga Studio Marvão. Como eu mesmo não tenho tempo para ensinar diariamente, e a demanda por mais aulas está a crescer, estou muito feliz por agora poder oferecer mais aulas. Tenho a certeza de que o modo de ensinar e partilhar conhecimentos da Heidi vai contribuir para a comunidade de yoga de Marvão e da província de Portalegre.

Ao lado das minhas quatro aulas semanais de Yoga em Meditação, Heidi fará duas aulas semanais diferentes.

Yoga suave na quarta-feira às 18:30h
Esta aula é boa para todos os níveis e habilidades com uma mistura de yoga terapêutica e restaurador. É um prática lenta com foco em equilibrar e curar áreas específicas do corpo.

Yoga energético no sábado às 10:00h
Comece o fim de semana com essa prática animada equilibrando força, fluidez e flexibilidade. Todos os níveis são bem-vindos, embora a experiência anterior de ioga seja útil.

Assim, o novo horário a partir de 3 de junho de 2019 será:

Terça-feira 10: 00h e 19: 00h              Yoga em meditação por Liesbeth Steur
Quarta-feira (com hora marcada)     Massagem Terapêutica por Heidi Dyer
Quarta-feira 18: 30h                             Yoga Suave por Heidi Dyer
Quinta-feira 10: 00h e 19: 00h            Yoga em Meditação por Liesbeth Steur
Sábado 10: 00h                                      Yoga Energética por Heidi Dyer

Inscrever para as aulas da Heidi:
hdyer320@gmail.com
917 909 631

Inscrever para as aulas da Liesbeth:
yoga@liesbethsteur.com
967 421 914

Contribuição / Monthly fee
€ 20 por mês / per month para 1 aula por semana / 1 class per week
€ 35 por mês / per month para 2 aulas por semana / 2 classes per week
€ 10 por aula separada (passantes) / just one class (for passers-by)

DOMINGOS ESPECIAIS
Segundo domingo do mês: 10:00h – 11:30h Meditação Vipassana e conversação com Liesbeth.
Último domingo do mês: 10:00h – 11:30h Formas diferentes de yoga para situações especificas com Heidi.

Contribuição: € 7 por sessão.

Nunca não fazer nada

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[English]  [Nederlands]

Os meus colegas de casa costumam me perguntar, quando vou não fazer nada. Apenas sentar-me, sem tarefa alguma. É, o que querem dizer. Como eles fazem e, são bons em apenas sentar e olhar para o nada. Olhar para o vazio. Para dizer a verdade, estudo o meu marido às vezes quando está nesse estado e depois de cinco minutos me pergunto: o que há de tão bom nisso? Ele diz que não fazer nada é bom para o processo criativo, assim como o tédio. É um artista. Então tal vez isso explica muito. Às vezes imagino que não fazer nada é uma forma de meditação. Perguntei a ele o que acontece na sua mente quando estar no seu estado de fazer-nada. A sua corrente de pensamentos continua e está inconscientemente sendo arrastado da esquerda para a direita; dum estado de espírito para outro. Sem rumo.

Se essa maneira de fazer nada promove o processo criativo, o que a meditação poderia fazer? Afinal, isso também é estar parado mas com um objetivo, ou seja, desenvolver a consciência. A meditação refina a tua consciência para que possas perceber melhor. Ser capaz de registar claramente o que acontece ao teu redor e em ti, traz compreensão e leva à aceitação da vida como se apresenta. De fato, significa o fim de toda “guerra” na tua vida e para dizer-o melhor: traz liberdade interior.

Há muitas pessoas que não querem aprender a meditar. Eles têm todos os tipos de razões para isso, como não há tempo; é para hippies, para iogues; isso não se encaixa na minha vida e assim por diante.
Alguns deles vêm para as minhas aulas de ioga para participar ativamente nos exercícios. Lentamente estou ajuntar algum tempo para aprender a ficar parado. Começar com cinco minutos. E vejo que eles estão indo bem. Isso os torna quietos e mi também.

Seria maravilhoso se todos pudessem fazer isso em casa no seu próprio tempo. Custa no máximo uma meia hora ou menos por dia. É estranho que todos nós tenhamos tempo para ver televisão, conversar, discutir, fazer amor, comer e escovar os dentes, e ficar quieto por meia hora por dia com uma intenção, parece ser uma ponte longe demais.

Para mim, surge a pergunta: o que as pessoas temem? Estão com medo de se verem no seu mundo autocriado? Sim, isso pode ser intenso.

Podes realmente considerar a minha chamada meditação de percepção como terapia de vida sem terapeuta. Tem um efeito purificador e curativo no teu personagem e fornece compreensão sobre a vida complexa.

Em última análise, aprendes a lidar melhor com bloqueios e problemas, para que sejas mais estável na vida. Isso é algo para ter medo? Eu daria tempo para isso.

Se sentar-te parado, não fazer nada, olhar para o nada e o tédio são bons para o processo criativo, então ficar quieto e praticar a atenção plena, é uma ferramenta melhor, acho, porque o meu processo criativo flui o dia todo e o meu nível de energia é estável. Não tenho que ficar parado e não fazer nada para ter isso. Assim que começo uma tarefa, a transformo numa obra de arte com atenção total. Quer escreva, ensine ioga, limpe a casa ou faça um bolo. Não faz diferença.

Então sim, eu nunca faço nada! E sempre permanecerá assim.

A meditação vipassana

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Photo by Mattia Faloretti on Unsplash.com

[English] [Nederlands]

No domingo passado iniciei uma nova série de aulas de meditação. Nove participantes estavam presentes e, para eles, quero explicar novamente o que estamos realmente a fazer durante a meditação. E quem sabe, também atrai tu. Estás muito bem vindo para te juntar a nós. As datas estão no site.

Existem muitas histórias sobre o Buda. Como nasceu príncipe com uma colher de prata na boca e que estava curioso para saber o que estava a acontecer fora dos muros da propriedade de sua família. Então, foi embora. Lá, no mundo exterior, se encontrou com a vida real.

Por um tempo o Buda viveu essa vida por completo. Como não conseguia encontrar a felicidade em todos os excessos mundanos, viu a complexidade da vida e foi à procura do segredo da vida estável, agradável e pacífica.

O Buda identificou sete estados mentais – anusayas – que quase sempre levam a infelicidade ou insatisfação.

1. desejo sensorial
2. desejo de manifestar-se
3. agressão, ódio, raiva
4. orgulho, sentir-se melhor (ou menos) de que os outros
5. entendimento incorreto da realidade
6. dúvida, incerteza
7. ignorância ou falta de senso de realidade, inconsciência.

A causa mais profunda dos anusayas é a ignorância. Sobretudo a inconsciência e a interpretação descuidada do que acontece em nós, garante que os anusayas tenham a oportunidade de se manifestar e, então, não lidamos numa maneira sábia com essas emoções, pensamentos e sentimentos.

Essa ignorância nos leva a afeiçoarmos aos pensamentos e sentimentos agradáveis. Permitirmos ser distraídos por tudo (social media, por exemplo) e construímos resistência ao que é desagradável. Escondemos o desagradável em algum lugar distante do nosso corpo e cada vez ligarmos mais ao mundo exterior.

Como se o mundo exterior fosse uma droga que pudesse entorpecer os nossos sentimentos desagradáveis.

Estamos cada vez mais com medo de perder o que temos, ou pior, temos medo de não conseguir ter o que queremos.

O Buda andou muitos caminhos e num dia o segredo se apresentou. Acabou a ser simples e para todos aprenderem.

Desenvolver a consciência.

A consciência traz a percepção e leva à aceitação da vida como se apresenta.

O Buda descreve duas maneiras de alcançar essa percepção.

1. Samatha-yānika: desenvolver a consciência baseada na meditação da calma.
2. Suddha-vipassanā-yānika: o desenvolvimento direto da consciência.

A primeira maneira – a meditação da calma – é muito adequada para as pessoas que têm tempo de se afastar da sociedade. Treinar formas profundas de concentração (isto é a meditação da calma) requer muito tempo e uma longa estadia em reclusão.

A segunda maneira é para pessoas como tu e eu. Estamos no centro da sociedade, vivemos uma vida agitada e ainda queremos desenvolver essa consciência para alcançar à percepção, com o resultado, a liberdade interior. Naturalmente, a concentração também se desenvolve ao longo dessa rota; apenas duma forma mais leve do que com o primeiro caminho.

Assim que começar a usar o vipassana, o aplicarás imediatamente na tua vida diária. Pois, no vipassana observas e registas o que está a acontecer no teu corpo e na tua mente. Assim, todas as experiências mentais e físicas diárias são usadas como objeto de meditação.

Podes considerar a vipassana ou a meditação da percepção, uma terapia de vida. Quer dizer que tem um efeito purificador e curativo no nosso carácter e nos fornece duma visão intuitiva da nossa vida temporal e incontrolável. Aprendemos a lidar melhor com os bloqueios e problemas e a desenvolver estabilidade ao lidar com as experiências do dia a dia.

Meditação aos domingos

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Photo by Chris Ensey on Unsplash

[English]

A meditação é uma palavra ‘pesada’ e pode evocar imagens de ficar no chão parado por horas a fio, com as pernas cruzadas e as costas direitas; imperturbado pelos pensamentos que são constantemente oferecidos na tua cabeça. Como se tivesses desaparecido no silêncio da “fonte”.

Todos podem aprender a meditar? Sim, todos podem aprender essa habilidade. Na verdade: acho que toda a gente tem de aprender! Pela simples razão de que praticar a meditação leva a uma maior conscientização e mais autoconhecimento. Esses dois ingredientes podem tornar a vida mais fácil de perceber e, portanto, mais leve.

Meditação logo leva à paz de espírito e vai ligar-te, entre outros, em contato com o teu corpo físico. Após o treinamento regular, deves ser capaz de influenciar a tua saúde e a longevidade.

O poder da meditação está na repetição. Quanto mais treinas, mais resultados.

No próximo domingo vamos meditar no estúdio de yoga. Quando o verão começar, vamos meditar na minha quinta, no meio da natureza.

Se és jovem, velho, ágil ou nunca fizeste nada como yoga ou meditação, estás muito bem-vindo. O estúdio fornece tapetes, bancos de meditação, mantas e até cadeiras, se sentar-te no chão é desconfortável. Use roupas confortáveis e quentinhas.

O tema deste domingo, no qual podes contemplar já esta semana, é:

“Sei o que é essencial na minha vida”.
É verdade?
Se assim for, dou toda a minha atenção à essência ou me distraio de novo e de novo?
Se sim, por quê?

Quando: domingo, 12 de maio, das 10:00 h às 12:00 h

Onde: Quinta Os Chões, Ponte Velha.

Contribuição: € 7 incluindo chá e doces.

Tenho espaço para 10 participantes. Se quiser participar, envie-me uma mensagem por Messenger ou Whatsapp. Podes também enviar um e-mail ou telefonar. Assim que tiver o teu registro, estás na lista.

Beijinho, Liesbeth

Surpreende-te

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[English]  [Nederlands]

Há muito tempo que queres participar num retiro?

Talvez por curiosidade?

Talvez para relaxar ou, quem sabe, descobrir novos caminhos e veres-te numa luz diferente?

Retiro significa retirar-se por alguns dias da vida quotidiana. Viajas para lugares desconhecidos e fazes todo o tipo de coisas que normalmente não fazes. Isso criará uma distância de tua vida normal, de modo a puderes ver as coisas sob uma luz diferente. Existem diferentes tipos de retiros, como meditar em silêncio durante dias, yoga e meditação, retiros psicoterapêuticos e, neste caso, um retiro de Tai Chi Chuan, para conheceres ou para aprofundares os teus conhecimentos.

Tai Chi é uma arte de movimento chinesa, que promove a saúde em geral. Teve origem no mesmo fluxo que as artes marciais chinesas, como o Kung Fu e o Qi Gong. A coisa boa de Taiji é que tu podes fazer isso em qualquer lugar e, de preferência, ao ar livre. Não precisas dum tapete ou de outros atributos; apenas um lugar para ficar e algum espaço para executar a forma (vê abaixo).

Taiji é ensinado como uma forma. Uma forma consiste em movimentos que têm um começo e um fim e que se fundem suavemente. Essa forma é executada em slow motion. Cada detalhe é importante. Pensar em como colocar os pés na terra, como usar as pernas, onde ficar o peso do corpo, o trabalho com os braços, como usar os olhos, a respiração; Em suma, estás realmente consciente do funcionamento do teu corpo e da tua mente.

Como essa arte do movimento é ensinada de mestre para aluno e o aluno mais tarde se torna mestre, há tantas formas quanto há mestres. Isso pode ser confuso, especialmente se vires vídeos no YouTube. Não te sintas desanimado com os vídeos!

O retiro que organizo juntamente com o Eduardo Salvado, vai ter lugar no Alto Alentejo, Portugal. Uma região onde talvez não vás.

O retiro vai ser na Guesthouse Trainspot na Beirã, a antiga pousada da estação de comboios onde, em 2010, passou o último comboio. A Beirã está localizada no meio do parque natural protegido da Serra de São Mamede e no sopé da cidade fortificada de Marvão. As aulas são dadas por Rene Goris, de Amesterdão, Holanda.

Se vieres vais ter uma experiência única.

A beleza de uma natureza única, o silêncio, a vida campestre portuguesa, Rene, com toda a sua experiência, e os bons cuidados da Trainspot vão garanti-lo. O preço não pode ser uma razão para não vires (€ 595 incluindo alojamento, aulas e refeições). Só precisas de comprar um bilhete para Lisboa e estar, no aeroporto, terça-feira dia 7 de maio, por volta das 16h. A essa hora uma camioneta vai buscar os participantes e levá-los para a Beirã, através um bela viagem pelo interior de Portugal. Se moras na área e dormes em casa, pagas € 395.

Se te inscreveres neste retiro de 4 dias (até 12 de abril), podes ter certeza que vais aprender muitas coisas novas, que nada é o que parece ser e que tens uma nova perspectiva na tua vida. E, por último, significa que podes continuar a crescer.

Se tiveres alguma dúvida, entra em contato comigo ou inscreve-te diretamente no website de Alentejo Retreats

Também podes efetuar o pagamento nesse link.

Poucos dias no Alto Alentejo são suficientes para continuar a vida com uma nova vivacidade.

Surpreende-te!

De cidade para aldeia

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Restaurante Pau de Canela, Santo António das Areias

[Nederlands]  [English]

Para mim, há muitas diferenças entre a minha vida aqui, na aldeia, e em Haia, a minha cidade favorita, na Holanda. Embora tenha passado os primeiros anos da minha vida no interior da Sicília e na Turquia, tornei-me uma pessoa citadina, sob a influência da minha mãe. Ela amava a cidade e achava tudo o que era remoto e solitário absolutamente inadequado para viver. Achava chato e perigoso. Jamais se teria aventurado sozinha num passeio pela floresta, ou no Haagse Bos, um parque tranquilo na Haia, em redor do palácio do rei. E eu? Sendo uma criança super obediente? Nem eu. Até que o meu filho mais velho comprou uma cadela e, como viajava muitas vezes por trabalho, ficou connosco durante semanas. Ela estava habituada a viver ao ar livre. Relutantemente, decidi enfrentar o meu medo e lancei-me à primeira caminhada pela floresta. Não parei até hoje.

Desde então descobri que amo a paz, o silêncio, o espaço e a beleza do campo e da natureza. Agora não gostaria de morar noutro lugar. Talvez mude novamente quando tiver 120 anos ou mais. Provavelmente, para a aldeia que fica a 5 minutos de carro da nossa quinta. Portanto, não vivemos tão sozinhos e isolados. Temos até “vizinhos da frente” e “vizinhos de trás”.

A vida no campo traz a vida da aldeia, com todos os aspectos da vida da cidade, mas mais sóbrios. Há uma loja, um minimercado, uma farmácia, alguns bares, uma igreja, um restaurante, um lar e uma casa de convalescência. Há dois médicos de família e uma bomba de gasolina. Temos uma verdadeira praça de touros, que funciona uma vez por ano, um grande quartel de bombeiros e até mesmo um ninho de empresas. E tudo isto para a região de Marvão, com cerca de 3.000 habitantes. O meu estúdio de yoga está localizado no Ninho de Empresas,  em Santo António das Areias, parte do município de Marvão.

Os 3.000 habitantes têm as mesmas necessidades e preocupações que as pessoas da cidade. Temas como a saúde, vida familiar, amor, socialização e boa comida desempenham um papel importante. Normalmente, as preocupações são sempre sobre a falta de saúde e / ou dinheiro.

A diferença entre a vida do campo e da cidade reflecte-se no tempo que as pessoas têm umas para as outras. Tal e visível, por exemplo, nas enormes televisões que existem dentro dos restaurantes, e da própria iluminação. Vê a imagem.

Uma das minhas amigas, Susana Maridalho, organizou um jantar para os participantes das aulas noturnas de yoga, no restaurante Pau de Canela, na aldeia. Como entradas, tivemos azeitonas deliciosas, cogumelos recheados e queijo quente com ervas, saído directamente do forno. Depois, um delicioso arroz de pato tradicional. Dona Conceição cozinha – para os padrões locais – muito bem. E as sobremesas eram mais do que doces.

Olha à volta da mesa e vê com quem estou a jantar: à frente do lado esquerda: Ana Pomba, assistente financeira da agência que garante a reintegração de desempregados de longa duração. Mora em Portalegre. Ao lado dela, Maria do Carmo Carilho. É dona da famosa salsicharia de Alpalhão (a cerca de 45 minutos de carro do meu estúdio). Depois, Carla Martins. Trabalha para uma grande companhia de água e é responsável pela pureza da água na região do Norte do Alentejo. A Carla passa muito tempo dentro do carro, de Portalegre para Lisboa e outros destinos. Ao lado dela vês Fernanda Mateus. Vive na aldeia e trabalha no Museu de Marvão. Com belos cabelos ruivos, Elisabete Reis, quem abriu recentemente um cabeleireiro em Castelo de Vide. Trabalha com produtos naturais. Ao lado vês um cantinho da Tânia Ramos (com óculos). É esteticista e tem o seu gabinete no rés-do-chã do meu estúdio de yoga. Heidi Dyer é a próxima. Acaba de chegar dos EUA, é professora de yoga e de dança. Está a estabelecer-se aqui. Uma jovem poderosa, dedicada a tornar a sua nova vida em Portugal num sucesso. Ao lado dela está Zé Paulo Ramalho, também participante de yoga e, como eu, também da grande cidade. Tem uma grande quinta onde trabalha a sua horta de acordo com os princípios da permacultura. Vende os seus produtos juntamente com a Heidi, que também trabalha na horta, nos mercados locais. Algo está a florescer entre os dois.
Do outro lado da mesa, podes adivinhar o rosto de Jacqui Hogan, inglesa. Mora na zona há alguns anos e ensina inglês em Portalegre. Fala bem português e é, por formação, terapeuta de shiatsu.
Ao lado dela Susana Maridalho, a força motriz por trás de tudo e de todos. Já escrevi sobre ela há uns anos atrás. Tem uma loja grande na aldeia chamada Casa Moura. Tem muita energia e representa com grande sucesso a marca Thermomix (aqui é chamada Bimby), um magnífico robô de cozinha. Então segue a Isabel Pires. E funcionária e recepcionista da Câmara de Marvão. A cadeira vazia ao meu lado é da Lina da Paz, outra de nós que veio da grande cidade para o campo. Tinha acabado de se levantar. A Lina tem a Trainspot Guesthouse na Beirã. Marília Ribeiro está do meu outro lado. Tal como a Ana Pomba, também trabalha no gabinete de reintegração do município de Portalegre e orienta as pessoas para uma nova vida. Há umas semanas publicou o livro Mulheres, Trabalho e Alentejo. Histórias de vida das mulheres trabalhadoras desta região. Mulheres com quem podes “roubar cavalos”. Impressionante.

Helena Pinadas está ao lado de Marília. Nascida e criada em Santo António das Areias. Os seus pais têm um bar na aldeia e ela trabalha como administradora no lar de idosos. Quem também não vês (como a Lina) é a fotógrafa Paula Cristina Costa. Outra que veio da grande cidade para o campo. Ela e o marido, Nuno, têm um grande parque de campismo naturista, a Quinta do Maral, muito popular entre a comunidade naturista holandesa. Está maravilhosamente situado no sopé de Marvão.

Nem todos os participantes de yoga puderam vir ao jantar, mas de certeza que vai haver uma próxima vez. Eu tenho uma vida maravilhosa e estou grata por tudo e todos os que me rodeiam, pois ajudam-me a saber quem eu sou.