Yes, I can …

Holanda 1968

Num mercado de livros encontrei uma vez um livro pequeno e fino sobre ioga. Tinha 13 ou 14 anos e nunca ouvi falar disso. Foi escrito em holandês e custou 1 florim. Isso pude pagar. Porquê o comprei? Não fiz ideia.

Uma vez em casa comecei a ler o texto e a estudar as imagens até que, após algumas semanas, até poder fazer o pino. Os anos seguintes passaram com a prática de desporto organizado e pouco ioga. Respirei, isso sim, mas o ioga ficara esquecido. Casei-me com 21 anos, fui dotada com 2 filhos quando tinha 23 e 25 anos e fiz o que sabia. Imitei a minha mãe. Até que não pude praticar desporto por causa dum acidente de esqui. E agora?

Rapidamente novos livros sobre ioga distraíram-me da minha nova limitação. Mais tarde encontrei um estúdio de ioga na minha cidade e no momento em que a lesão foi curada, inscrevi-me para as aulas.

Um mundo de discípulos de Bhagwan Shree Rajneesh, curadores de aura, xamanes criados por si próprios, cantadores de mantras e de meditação abriu-se para mim.

A minha professora de ioga, estudante de Baghwan na Índia, pediu-me regularmente para me encarregar das suas aulas e aconselhou-me a seguir uma formação oficial. E a escola perfeita ficava na minha cidade. Então quando cumpri 32 anos, obtive o diploma. Mas mais importante que o diploma, soube um pouco mais. Depois o meu próprio estúdio de ioga seguiu-se.

Mesmo assim, depois de uns anos, a lesão voltou (em ambos joelhos). O médico prometeu-me um futuro numa cadeira de rodas, um outro médico especialista disse: operar e mais um outro disse a não operar nunca, porque uma lesão deste tipo nunca vai recuperar bem. Não pude subir as escadas, não consegui ir de bicicleta e o pior de tudo, não pude dar aulas.

Dentro de uma semana tive um trabalho normal num escritório. E, sabes onde? Na Associação Holandesa de Esqui. Mas a lesão mantinha-me preocupada. Tal não pode ser verdade? Uma cadeira de rodas? Em silêncio, entre trabalho e família, comecei a meditar. Porque ficar quieta, era algo que eu podia e ao fazer estas meditações pude observar e ver cada vez melhor a mim própria e a minha vida. Dez anos turbulentos passaram no meu interior e na hora do meu 40 aniversário, estava divorciada e os meus joelhos estavam curados.

E porque vos conto isto? Porque encontrei esta foto do ano 1968, recordo esse primeiro livro pequeno sobre ioga e tenho de rir alto comigo mesma, quando vi todos esses livros sobre o funcionamento do cérebro na minha secretária. De uma vez sei porque estou a estudar esses livros.

Só por uma razão: para procurar a prova que eu me curei a mim própria por meditar e usar o poder da mente. Nem mais nem menos. E esta prova científica já está nestes livros.

Acho que sou a prova viva de que a meditação é um meio excelente para mudar a tua vida totalmente. Se o quiseres. Isso é a condição única. Tens de querer mudar de verdade.

A chuva chegou

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Foi ás quatro de manha quando cheirei e ouvi a chuva. As gotas embateram no telhado e pela porta aberta do quarto penetrou o som de uma cortina de chuva.

É agradável ser despertado assim e depois cair no sono novamente, sonhando em andar na chuva torrencial.

Durante cinco meses o céu ficou azul e o sol brilhou do amanhecer ao anoitecer. Cinco meses de plena seca. Lá de cima economizou-se água também nos primeiros meses do ano.

Quando a água finalmente chegou, era o desejo de todos nós. Água do céu. O desejo dos agricultores, da terra, das nascentes, das minas, das plantas, dos pássaros, dos ratos, das rãs, dos insectos e das oliveiras cheias de azeitonas, já maduras pelo calor constante, mas também secas e mirradas pela falta de água.

Quando me levantei ás sete, já tudo estava seco novamente. Agora brilha o sol e as previsões ainda são de mais chuva para esta noite. De facto, ainda é muito pouco para a natureza, mas talvez seja o suficiente para dominar os grandes incêndios no centro e norte de Portugal.

Aqui a terra tem muita sede e a meu ver o homem no mundo também.

Não pela falta de água. Pois isso ainda há, água potável. Não, há um cúmulo de sede pelo crescimento financeiro, por mais e por muito mais. E esta sede não parece ter um fim anunciado, porque é uma sede artificial que disfarça a sede real. Pois para matar a sede real o homem deve-se virar para dentro. Aí, vive uma nascente inesgotável. Uma nascente que pode trazer satisfação eterna. O caminho interior não custa um centavo e traz tanto, que viver a vida seria cada vez mais agradável.

A pergunta que surge constantemente na minha cabeça é esta:

“Porquê tanta resistência?”

Obrigada Lina da Paz para o reality check :-)