Meditação aos domingos

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Photo by Chris Ensey on Unsplash

[English]

A meditação é uma palavra ‘pesada’ e pode evocar imagens de ficar no chão parado por horas a fio, com as pernas cruzadas e as costas direitas; imperturbado pelos pensamentos que são constantemente oferecidos na tua cabeça. Como se tivesses desaparecido no silêncio da “fonte”.

Todos podem aprender a meditar? Sim, todos podem aprender essa habilidade. Na verdade: acho que toda a gente tem de aprender! Pela simples razão de que praticar a meditação leva a uma maior conscientização e mais autoconhecimento. Esses dois ingredientes podem tornar a vida mais fácil de perceber e, portanto, mais leve.

Meditação logo leva à paz de espírito e vai ligar-te, entre outros, em contato com o teu corpo físico. Após o treinamento regular, deves ser capaz de influenciar a tua saúde e a longevidade.

O poder da meditação está na repetição. Quanto mais treinas, mais resultados.

No próximo domingo vamos meditar no estúdio de yoga. Quando o verão começar, vamos meditar na minha quinta, no meio da natureza.

Se és jovem, velho, ágil ou nunca fizeste nada como yoga ou meditação, estás muito bem-vindo. O estúdio fornece tapetes, bancos de meditação, mantas e até cadeiras, se sentar-te no chão é desconfortável. Use roupas confortáveis e quentinhas.

O tema deste domingo, no qual podes contemplar já esta semana, é:

“Sei o que é essencial na minha vida”.
É verdade?
Se assim for, dou toda a minha atenção à essência ou me distraio de novo e de novo?
Se sim, por quê?

Quando: domingo, 14 de abril, das 10:00 h às 11:30 h

Onde: Yoga Studio Marvão, Ninho de Empresas, Santo António das Areias

Contribuição: € 7 incluindo chá e doces sem açúcar, glúten e lactose.

Tenho espaço para 10 participantes. Se quiser participar, envie-me uma mensagem por Messenger ou Whatsapp. Podes também enviar um e-mail ou telefonar. Assim que tiver o teu registro, estás na lista.

Beijinho, Liesbeth

Surpreende-te

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[English]  [Nederlands]

Há muito tempo que queres participar num retiro?

Talvez por curiosidade?

Talvez para relaxar ou, quem sabe, descobrir novos caminhos e veres-te numa luz diferente?

Retiro significa retirar-se por alguns dias da vida quotidiana. Viajas para lugares desconhecidos e fazes todo o tipo de coisas que normalmente não fazes. Isso criará uma distância de tua vida normal, de modo a puderes ver as coisas sob uma luz diferente. Existem diferentes tipos de retiros, como meditar em silêncio durante dias, yoga e meditação, retiros psicoterapêuticos e, neste caso, um retiro de Tai Chi Chuan, para conheceres ou para aprofundares os teus conhecimentos.

Tai Chi é uma arte de movimento chinesa, que promove a saúde em geral. Teve origem no mesmo fluxo que as artes marciais chinesas, como o Kung Fu e o Qi Gong. A coisa boa de Taiji é que tu podes fazer isso em qualquer lugar e, de preferência, ao ar livre. Não precisas dum tapete ou de outros atributos; apenas um lugar para ficar e algum espaço para executar a forma (vê abaixo).

Taiji é ensinado como uma forma. Uma forma consiste em movimentos que têm um começo e um fim e que se fundem suavemente. Essa forma é executada em slow motion. Cada detalhe é importante. Pensar em como colocar os pés na terra, como usar as pernas, onde ficar o peso do corpo, o trabalho com os braços, como usar os olhos, a respiração; Em suma, estás realmente consciente do funcionamento do teu corpo e da tua mente.

Como essa arte do movimento é ensinada de mestre para aluno e o aluno mais tarde se torna mestre, há tantas formas quanto há mestres. Isso pode ser confuso, especialmente se vires vídeos no YouTube. Não te sintas desanimado com os vídeos!

O retiro que organizo juntamente com o Eduardo Salvado, vai ter lugar no Alto Alentejo, Portugal. Uma região onde talvez não vás.

O retiro vai ser na Guesthouse Trainspot na Beirã, a antiga pousada da estação de comboios onde, em 2010, passou o último comboio. A Beirã está localizada no meio do parque natural protegido da Serra de São Mamede e no sopé da cidade fortificada de Marvão. As aulas são dadas por Rene Goris, de Amesterdão, Holanda.

Se vieres vais ter uma experiência única.

A beleza de uma natureza única, o silêncio, a vida campestre portuguesa, Rene, com toda a sua experiência, e os bons cuidados da Trainspot vão garanti-lo. O preço não pode ser uma razão para não vires (€ 595 incluindo alojamento, aulas e refeições). Só precisas de comprar um bilhete para Lisboa e estar, no aeroporto, terça-feira dia 7 de maio, por volta das 16h. A essa hora uma camioneta vai buscar os participantes e levá-los para a Beirã, através um bela viagem pelo interior de Portugal. Se moras na área e dormes em casa, pagas € 395.

Se te inscreveres neste retiro de 4 dias (até 12 de abril), podes ter certeza que vais aprender muitas coisas novas, que nada é o que parece ser e que tens uma nova perspectiva na tua vida. E, por último, significa que podes continuar a crescer.

Se tiveres alguma dúvida, entra em contato comigo ou inscreve-te diretamente no website de Alentejo Retreats

Também podes efetuar o pagamento nesse link.

Poucos dias no Alto Alentejo são suficientes para continuar a vida com uma nova vivacidade.

Surpreende-te!

De cidade para aldeia

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Restaurante Pau de Canela, Santo António das Areias

[Nederlands]  [English]

Para mim, há muitas diferenças entre a minha vida aqui, na aldeia, e em Haia, a minha cidade favorita, na Holanda. Embora tenha passado os primeiros anos da minha vida no interior da Sicília e na Turquia, tornei-me uma pessoa citadina, sob a influência da minha mãe. Ela amava a cidade e achava tudo o que era remoto e solitário absolutamente inadequado para viver. Achava chato e perigoso. Jamais se teria aventurado sozinha num passeio pela floresta, ou no Haagse Bos, um parque tranquilo na Haia, em redor do palácio do rei. E eu? Sendo uma criança super obediente? Nem eu. Até que o meu filho mais velho comprou uma cadela e, como viajava muitas vezes por trabalho, ficou connosco durante semanas. Ela estava habituada a viver ao ar livre. Relutantemente, decidi enfrentar o meu medo e lancei-me à primeira caminhada pela floresta. Não parei até hoje.

Desde então descobri que amo a paz, o silêncio, o espaço e a beleza do campo e da natureza. Agora não gostaria de morar noutro lugar. Talvez mude novamente quando tiver 120 anos ou mais. Provavelmente, para a aldeia que fica a 5 minutos de carro da nossa quinta. Portanto, não vivemos tão sozinhos e isolados. Temos até “vizinhos da frente” e “vizinhos de trás”.

A vida no campo traz a vida da aldeia, com todos os aspectos da vida da cidade, mas mais sóbrios. Há uma loja, um minimercado, uma farmácia, alguns bares, uma igreja, um restaurante, um lar e uma casa de convalescência. Há dois médicos de família e uma bomba de gasolina. Temos uma verdadeira praça de touros, que funciona uma vez por ano, um grande quartel de bombeiros e até mesmo um ninho de empresas. E tudo isto para a região de Marvão, com cerca de 3.000 habitantes. O meu estúdio de yoga está localizado no Ninho de Empresas,  em Santo António das Areias, parte do município de Marvão.

Os 3.000 habitantes têm as mesmas necessidades e preocupações que as pessoas da cidade. Temas como a saúde, vida familiar, amor, socialização e boa comida desempenham um papel importante. Normalmente, as preocupações são sempre sobre a falta de saúde e / ou dinheiro.

A diferença entre a vida do campo e da cidade reflecte-se no tempo que as pessoas têm umas para as outras. Tal e visível, por exemplo, nas enormes televisões que existem dentro dos restaurantes, e da própria iluminação. Vê a imagem.

Uma das minhas amigas, Susana Maridalho, organizou um jantar para os participantes das aulas noturnas de yoga, no restaurante Pau de Canela, na aldeia. Como entradas, tivemos azeitonas deliciosas, cogumelos recheados e queijo quente com ervas, saído directamente do forno. Depois, um delicioso arroz de pato tradicional. Dona Conceição cozinha – para os padrões locais – muito bem. E as sobremesas eram mais do que doces.

Olha à volta da mesa e vê com quem estou a jantar: à frente do lado esquerda: Ana Pomba, assistente financeira da agência que garante a reintegração de desempregados de longa duração. Mora em Portalegre. Ao lado dela, Maria do Carmo Carilho. É dona da famosa salsicharia de Alpalhão (a cerca de 45 minutos de carro do meu estúdio). Depois, Carla Martins. Trabalha para uma grande companhia de água e é responsável pela pureza da água na região do Norte do Alentejo. A Carla passa muito tempo dentro do carro, de Portalegre para Lisboa e outros destinos. Ao lado dela vês Fernanda Mateus. Vive na aldeia e trabalha no Museu de Marvão. Com belos cabelos ruivos, Elisabete Reis, quem abriu recentemente um cabeleireiro em Castelo de Vide. Trabalha com produtos naturais. Ao lado vês um cantinho da Tânia Ramos (com óculos). É esteticista e tem o seu gabinete no rés-do-chã do meu estúdio de yoga. Heidi Dyer é a próxima. Acaba de chegar dos EUA, é professora de yoga e de dança. Está a estabelecer-se aqui. Uma jovem poderosa, dedicada a tornar a sua nova vida em Portugal num sucesso. Ao lado dela está Zé Paulo Ramalho, também participante de yoga e, como eu, também da grande cidade. Tem uma grande quinta onde trabalha a sua horta de acordo com os princípios da permacultura. Vende os seus produtos juntamente com a Heidi, que também trabalha na horta, nos mercados locais. Algo está a florescer entre os dois.
Do outro lado da mesa, podes adivinhar o rosto de Jacqui Hogan, inglesa. Mora na zona há alguns anos e ensina inglês em Portalegre. Fala bem português e é, por formação, terapeuta de shiatsu.
Ao lado dela Susana Maridalho, a força motriz por trás de tudo e de todos. Já escrevi sobre ela há uns anos atrás. Tem uma loja grande na aldeia chamada Casa Moura. Tem muita energia e representa com grande sucesso a marca Thermomix (aqui é chamada Bimby), um magnífico robô de cozinha. Então segue a Isabel Pires. E funcionária e recepcionista da Câmara de Marvão. A cadeira vazia ao meu lado é da Lina da Paz, outra de nós que veio da grande cidade para o campo. Tinha acabado de se levantar. A Lina tem a Trainspot Guesthouse na Beirã. Marília Ribeiro está do meu outro lado. Tal como a Ana Pomba, também trabalha no gabinete de reintegração do município de Portalegre e orienta as pessoas para uma nova vida. Há umas semanas publicou o livro Mulheres, Trabalho e Alentejo. Histórias de vida das mulheres trabalhadoras desta região. Mulheres com quem podes “roubar cavalos”. Impressionante.

Helena Pinadas está ao lado de Marília. Nascida e criada em Santo António das Areias. Os seus pais têm um bar na aldeia e ela trabalha como administradora no lar de idosos. Quem também não vês (como a Lina) é a fotógrafa Paula Cristina Costa. Outra que veio da grande cidade para o campo. Ela e o marido, Nuno, têm um grande parque de campismo naturista, a Quinta do Maral, muito popular entre a comunidade naturista holandesa. Está maravilhosamente situado no sopé de Marvão.

Nem todos os participantes de yoga puderam vir ao jantar, mas de certeza que vai haver uma próxima vez. Eu tenho uma vida maravilhosa e estou grata por tudo e todos os que me rodeiam, pois ajudam-me a saber quem eu sou.