A meditação vipassana

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No domingo passado iniciei uma nova série de aulas de meditação. Nove participantes estavam presentes e, para eles, quero explicar novamente o que estamos realmente a fazer durante a meditação. E quem sabe, também atrai tu. Estás muito bem vindo para te juntar a nós. As datas estão no site.

Existem muitas histórias sobre o Buda. Como nasceu príncipe com uma colher de prata na boca e que estava curioso para saber o que estava a acontecer fora dos muros da propriedade de sua família. Então, foi embora. Lá, no mundo exterior, se encontrou com a vida real.

Por um tempo o Buda viveu essa vida por completo. Como não conseguia encontrar a felicidade em todos os excessos mundanos, viu a complexidade da vida e foi à procura do segredo da vida estável, agradável e pacífica.

O Buda identificou sete estados mentais – anusayas – que quase sempre levam a infelicidade ou insatisfação.

1. desejo sensorial
2. desejo de manifestar-se
3. agressão, ódio, raiva
4. orgulho, sentir-se melhor (ou menos) de que os outros
5. entendimento incorreto da realidade
6. dúvida, incerteza
7. ignorância ou falta de senso de realidade, inconsciência.

A causa mais profunda dos anusayas é a ignorância. Sobretudo a inconsciência e a interpretação descuidada do que acontece em nós, garante que os anusayas tenham a oportunidade de se manifestar e, então, não lidamos numa maneira sábia com essas emoções, pensamentos e sentimentos.

Essa ignorância nos leva a afeiçoarmos aos pensamentos e sentimentos agradáveis. Permitirmos ser distraídos por tudo (social media, por exemplo) e construímos resistência ao que é desagradável. Escondemos o desagradável em algum lugar distante do nosso corpo e cada vez ligarmos mais ao mundo exterior.

Como se o mundo exterior fosse uma droga que pudesse entorpecer os nossos sentimentos desagradáveis.

Estamos cada vez mais com medo de perder o que temos, ou pior, temos medo de não conseguir ter o que queremos.

O Buda andou muitos caminhos e num dia o segredo se apresentou. Acabou a ser simples e para todos aprenderem.

Desenvolver a consciência.

A consciência traz a percepção e leva à aceitação da vida como se apresenta.

O Buda descreve duas maneiras de alcançar essa percepção.

1. Samatha-yānika: desenvolver a consciência baseada na meditação da calma.
2. Suddha-vipassanā-yānika: o desenvolvimento direto da consciência.

A primeira maneira – a meditação da calma – é muito adequada para as pessoas que têm tempo de se afastar da sociedade. Treinar formas profundas de concentração (isto é a meditação da calma) requer muito tempo e uma longa estadia em reclusão.

A segunda maneira é para pessoas como tu e eu. Estamos no centro da sociedade, vivemos uma vida agitada e ainda queremos desenvolver essa consciência para alcançar à percepção, com o resultado, a liberdade interior. Naturalmente, a concentração também se desenvolve ao longo dessa rota; apenas duma forma mais leve do que com o primeiro caminho.

Assim que começar a usar o vipassana, o aplicarás imediatamente na tua vida diária. Pois, no vipassana observas e registas o que está a acontecer no teu corpo e na tua mente. Assim, todas as experiências mentais e físicas diárias são usadas como objeto de meditação.

Podes considerar a vipassana ou a meditação da percepção, uma terapia de vida. Quer dizer que tem um efeito purificador e curativo no nosso carácter e nos fornece duma visão intuitiva da nossa vida temporal e incontrolável. Aprendemos a lidar melhor com os bloqueios e problemas e a desenvolver estabilidade ao lidar com as experiências do dia a dia.